Modelos de negócio sustentáveis




A primeira questão que emerge quando falamos de sustentabilidade é a questão de “valor”. Empresas e escolas de negócios falam profusamente de valor, mas o que é valor? 

Valor pode significar uma quantidade ou número, mas, em finanças, é frequentemente usado para determinar o valor de um ativo, uma empresa e do seu desempenho financeiro. As empresas podem ser avaliadas com base na quantidade de lucro que geram por ação e o valor de uma bem ou serviço pode ser gerado a partir do “valor de troca” (uma concepção que vem desde Adam Smith).

No entanto, debates mais recentes viram uma mudança do "valor de troca" de Smith para pensar mais em termos de "valor em uso", à medida que os fabricantes avançam em direção a mais modelos de negócios baseados em serviços, com um foco mais forte no cliente.

Mais recentemente, Michael Porter e Mark Kramer têm escrito de forma influente sobre o conceito de 'valor compartilhado', sugerindo que o valor económico deve ser criado de uma maneira que também crie valor para a sociedade, abordando suas necessidades e desafios. Desta forma, valor sustentável é o bem-estar, a melhoria, a continuidade e a preservação do indivíduo (vida humana), empresa, sociedade e meio ambiente, de maneira a satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a equidade geracional.

Assim, quando falamos de valor sustentável, ele pode ser valor económico sustentável que inclui crescimento - lucro, retorno dos investimentos, resiliência financeira e viabilidade e estabilidade dos negócios a longo prazo. Valor social sustentável que inclui alívio da pobreza, justiça social, igualdade, bem-estar, desenvolvimento comunitário, emprego a longo prazo, meios de subsistência seguros e significativos, padrões e práticas trabalhistas, salários, código de conduta, desenvolvimento de carreira, saúde e segurança e diversidade e ainda o valor ambiental sustentável que abrange o uso de recursos a uma taxa em que eles podem ser renovados, garantindo que as emissões e os resíduos estejam em um nível que possa ser metabolizado com segurança pelo meio ambiente, protegendo a biodiversidade e criando benefícios positivos para o meio ambiente excesso passado.

Precisamos pois de modelos de negócios que possam reconciliar como uma empresa pode criar e agregar valor para seus diversos stakeholders, enquanto captura valor para si mesma.

Neste sentido, as empresas devem analisar bloco a bloco, como prever como suas ações afetarão o valor que elas criam, tendo em conta os impactos nos diversos stakeholders. Ou seja, não interessa vender um produto reciclado, se temos atividades e parceiros que não são se preocupam com sustentabilidade (ambiental, social, económica). É preciso que as empresas revejam a sustentabilidade do fit entre a sua proposta de valor e o público alvo. Mas também a forma como chegamos ao cliente (a nossa logística é sustentável), as nossas operações, recursos, parceiros e fornecedores. Mas, para fazer isso, é preciso gerir informações da rede. Ao mesmo tempo, todas as relações comerciais incluem não apenas atividades contratuais formais, mas também trocas informais de informações e benefícios. Identificar todo o fluxo de valor em uma rede pode revelar oportunidades de inovação e aprimoramento. O desafio, então, é como conceber e projetar o futuro modelo de negócios certo.


Plan4sustain, 23 de julho de 2020.

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